quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O João Izidro, o médico espirituoso!, por Gaudêncio Torquato


Cine Apolo XI; um caso sem solução

Um mistério rodeia Cajazeiras, Sertão da Paraíba, divisa com o Ceará. O povo conta um episódio que ocorreu há 35 anos, em 2 de julho de 1975, mas que se mantém sem autoria . Um atentado a bomba matou dois, mutilou outros dois e destruiu o Cine-Teatro Apolo 11. O alvo, dom Zacarias Rolim de Moura, bispo conservador da Diocese de Cajazeiras, escapou porque tinha viajado ao Recife. A história é contada, mas o mistério não se revela. Quem quis matar dom Zacarias? Auge do regime militar, a ditadura iria enfrentar, nos seis anos seguintes, a linha-dura contrária à redemocratização.
Cajazeiras (PB), 2 de Julho de 1975. A fase mais dura do regime militar de 1964 estava no auge. Na pacata cidade do Sertão da Paraíba, a 460 Km de João Pessoa e 600 Km do Recife, a população é sacudida por uma explosão sentida até fora da cidade. Às 21h, com as ruas desertas, a cidade havia começado a adormecer. Os moradores do centro correm para o local do impacto: o Cine-Teatro Apolo 11, fundado pelo bispo dom Zacarias Rolim de Moura, à época com 60 anos, um fanático por cinema e frequentador assíduo das sessões. O cenário era incomum e desolador para Cajazeiras: as poltronas destroçadas e quatro homens jogados ao chão. O soldado Altino Soares, o Didi, 43, com as pernas amputadas. O ex-recruta do Tiro de Guerra, Manuel Conrado (Manuelzinho), 19, com uma lasca de madeira na cabeça, o seu irmão e operador de projetor Geraldo Conrado, 31, com a perna direita partida e o corpo perfurados por fragmentos, e o adolescente Geraldo Galvão, 16, do abdômen para baixo perfurado e as pernas queimadas.
Uma bomba explodiu no Apolo 11, 15 minutos depois do encerramento da sessão. Levados para João Pessoa, Manuelzinho morreria dois dias depois e o soldado Didi, da PMCE, nove dias depois. Dom Zacarias escapou.
Naquela tarde, havia embarcado em um ônibus com destino ao Recife, onde – além das atividades pastorais – ia às distribuidoras alugar filmes para os cinemas da Diocese de Uma bomba explodiu no Apolo 11, 15 minutos depois do encerramento da sessão. Levados para João Pessoa, Manuelzinho morreria dois dias depois e o soldado Didi, da PMCE, nove dias depois. Dom Zacarias escapou. Naquela tarde, havia embarcado em um ônibus com destino ao Recife, onde além das atividades pastorais ia às distribuidoras alugar filmes para os cinemas da Diocese de Cajazeiras. Dom Zacarias, um bispo conservador, contraponto à Igreja progressista liderada pelo arcebispo Metropolitano, dom José Maria Pires (dom Pelé), e pelo bispo de Guarabira, dom Marcelo Carvalheira era frequentador privilegiado que tinha a sua cadeira cativa no Apolo 11. O saldo do atentado não foi maior devido ao imponderável de uma fita de má qualidade, que partiu várias vezes, encurtando a sessão em 15 minutos, e ao enredo do filme, um drama que não agradou à platéia admiradora de faroestes e filmes de aventura.


A quarta-feira, 2 de julho de 1975, tinha sido mais um dia comum na vida simples e bucólica de Cajazeiras, então com 40 mil habitantes. Cinema era a maior diversão e mais de 40 espectadores tinham acabado de assistir ao filme Sublime Renúncia, no Cine-Teatro Apolo 11. Uma parte saiu antes do final. A cadeira cativa de dom Zacarias Rolim de Moura estava vazia, mas debaixo dela havia uma pasta modelo 007. Na varredura final do auditório, antes do fechamento do cinema, Geraldo Galvão encontra e entrega ao soldado Didi a pasta abandonada. A explosão que sacudiu a cidade e assustou a população foi uma questão de segundos. Na curiosidade, ao abrir para saber de quem era, Didi puxa de dentro algo que imagina ser um gravador. A poucos metros, Manuelzinho grita: não mexe, é uma bomba. No susto, Didi soltou a bolsa no chão.
O impacto do poder explosivo da bomba-relógio arrancou-lhe as pernas e o levaria à morte, juntamente com Manuelzinho. Os dois Geraldos ficaram mutilados. O agente federal disse a mim que tinha 15 minutos ainda para ela explodir. Se ele (Didi) tivesse colocado devagarzinho no chão e se afastado, tinha evitado a morte, relata dona Francisca Soares (dona Francisquinha), 71, viúva do soldado. No dia seguinte, um avião da Força Aérea levaria oficiais do IV Exército, com sede no Recife, e o comando e investigadores da Polícia Federal e da Secretaria de Segurança Pública da Paraíba a Cajazeiras. A cidade viveu 30 dias de suspense e temor de um novo atentado.
Na Paraíba, nos círculos políticos e da imprensa, a versão que se espalha é a de um atentado terrorista da esquerda contra o bispo dom Zacarias Rolim de Moura. Na oposição, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) rebate, acusando ter sido um atentado da direita para incriminar a esquerda e desestabilizar a abertura política no País.
Um ano antes, havia assumido a Presidência da República o general de Exército Ernesto Geisel (1974/1979) sucessor do general Emílio Garrastazu Médici (1969/1974), que pressionado pela esmagadora vitória da oposição (MDB) nas eleições de 74, propõe à nação uma distensão (abertura) lenta, gradual e segura” de retorno à democracia. Uma série de atos da linha-dura e do braço clandestino do regime se sucedem para impedir a abertura política, a transferência do poder aos civis e o retorno das eleições gerais.
Ação seria da mesma safra da OAB e do Riocentro
Um encontro casual, na Prefeitura de João Pessoa, em 1986, onze anos depois do episódio, consolida os indícios de uma ação do braço armado clandestino da ditadura militar no atentado ao cine Apolo 11. O ex-vice-prefeito de Cajazeiras, Abidiel de Souza Rolim, 71, é apresentado por um amigo comum ao general Antônio Bandeira, um paraibano linha-dura e primeiro comandante das tropas do Exército que combateram a guerrilha do PCdoB no Araguaia, Sul do Pará, entre 1971 e 1974. Bandeira revela que havia conhecido Cajazeiras, ao que Abidiel responde com espanto: Um general na minha terra? Bandeira então diz que foi na época das investigações da bomba do cinema, sem dar maior detalhe.
Movido pela curiosidade, o dentista Abidiel Rolim afirma que prolongou o diálogo com o general, para tanto indagou se a bomba em Cajazeiras tinha alguma relação com os episódios da OAB/RJ e Riocentro. A resposta foi surpreendente: São da mesma safra, sintetizou sem acrescentar mais nada, segundo Abidiel.
Inquérito foi aberto pela Polícia Federal para apurar a autoria intelectual e quem colocou a bomba, e o Exército fez investigações. Os suspeitos imediatos um líder político, um padre e um gênio autodidata surgiram à cabeça da população, suspeitas nunca comprovadas. Quem teria interesse em matar dom Zacarias e conhecimento para preparar uma bomba? Os três suspeito eram cidadãos acima de qualquer suspeita para a Igreja e o povo.
Deputado estadual pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), ex-líder estudantil e considerado um agitador, o advogado João Bosco Braga Barreto foi o mais ouvido pela Polícia Federal. O técnico em eletrônica Inácio Assis, admirado pela inteligência, também depôs. E o padre norte-americano e professor Francis Xavier Boyes, o Mr. Boyes, um liberal para os padrões de Cajazeiras que teria sido censurado por dom Zacarias foi incluído na relação. As suspeitas foram derrubadas nos depoimentos. Restou as de historiadores e políticos: matar um bispo conservador e atribuir à esquerda iria endurecer o regime.
No processo de abertura, uma série de bombas
A bomba do Cine-teatro Apolo 11, em Cajazeiras, Sertão da Paraíba, em 1975, foi o primeiro de uma série de episódios ocorridos ao longo dos governos dos generais Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo. Ao assumir, em 15 de março de 1974, Geisel anuncia o processo de abertura política lenta, gradual e segura. Escolhido por Geisel, Figueiredo assume, em 1979, com a missão de dar continuidade à distensão e devolver o poder aos civis.
A linha dura do regime e o braço clandestino da repressão deflagram, então, uma luta para inviabilizar a redemocratização com ações de violência e terrorismo. Em 1975, submetido a tortura, morre nas dependências do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), de São Paulo, órgão subordinado ao Exército, o jornalista Vladimir Herzog, da TV Cultura. Em 1976, o líder metalúrgico Manoel Fiel Filho é também encontrado morto em uma cela do DOI-Codi. Ambos militavam no PCB.
Em 1977, o general Geisel enfrenta o auge de uma crise com o comandante do Exército, general Sylvio Frota, um linha dura que defendia o endurecimento do regime. Geisel resolve isolar o segmento militar contrário à abertura política. Surge a versão de que o general Frota pretende ser presidente da República, gerando a suspeita de preparava um golpe para depor Geisel. Para preservar a abertura política e a sua autoridade sobre as Forças Armadas, Geisel depõe Frota em 12 de outubro.
Eleito, indiretamente, pelo Congresso Nacional, o ex-chefe da Casa Militar de Geisel, João Baptista Figueiredo, enfrenta três episódios que elevam a tensão no País. Uma série de ataques à bomba a bancas de revistas, em capitais, é executada, em seguida, o Brasil é sacudido pela carta-bomba na sede da OAB/RJ, que matou a secretária da entidade, Lyda Monteiro Silva, em 27 de agosto de 1980.
Na última ação de desespero da direita, fracassa o atentado no pavilhão do Riocentro, na noite de 30 de abril de 1981, quando ocorria um show pela passagem do Dia do Trabalhador. A bomba explode no colo do sargento do Exército, Guilherme do Rosário, quando armava o dispositivo. Ele morre na hora e fica ferido o capitão Wilson Machado. O inquérito militar acusa a esquerda radical, mas depoimentos de agentes do regime à imprensa provam a ação da direita radical contra a redemocratização.
Dom Zacarias Rolim, o alvo do atentado
Um bispo tipo bonachão e tranquilo, mas apoiador do golpe e alinhado com o regime militar de 1964. O líder da Diocese de Cajazeiras, dom Zacarias Rolim de Moura, um tradicionalista que permitia missa celebrada em latim tinha, também, uma visão pragmática e a preocupação com a altivez e independência da Igreja. O longo bispado caracterizou-se pela criação de condições para a autonomia financeira da Diocese, agregando um patrimônio que se constitui fonte de renda para as atividades religiosas e de ensino. Construiu dezenas de imóveis pelos 43 municípios da Diocese, que servem de renda e como morada de padres. Por 40 anos conduziu a Diocese de Cajazeiras, zelando pela disciplina, os bons costumes e a educação.
Dom Zacarias não era um homem intolerante, mas era de posições firmes, tanto que considerava que a Diocese deveria ter arrecadação própria, e não depender do governo. Com a arrecadação do dízimo, conseguiu construir mais de 40 casas na Diocese, lembra o padre Antônio Luiz do Nascimento, o padre Buíca, 74, que o auxiliou no Conselho da Diocese. No período militar de 64, a gestão conservadora de dom Zacarias enfrentou divergências e resistências de padres da linha progressista, seguidores da Teologia da Libertação. O conflito mais profundo ocorreu com o grupo de cinco padres italianos, oriundos de Verona, que chegaram a partir de 1974.
Abrindo comunidades eclesiais de base, os italianos passaram a trabalhar na organização de camponeses e sindicatos e começaram a contestar a ação pastoral de dom Zacarias e a sua autoridade, e atuar em desobediência e sem dar satisfação das ações. O confronto só acabou após dom Zacarias pedir e conseguir que a Diocese de Verona chamasse os italianos de volta.
Politicamente de direita e ligado à ala conservadora da Igreja Católica, dom Zacarias tinha o perfil de homem culto, com domínio do português e com conhecimento profundo do latim e de história. Fã de cinema e assíduo frequentador das sessões, o bispo fazia a seleção dos filmes em cartaz nos cines Apolo 11 e Pax. Nas viagens ao Recife, pela Igreja, aproveitava para alugar fitas nas distribuidoras.
Nasceu em 1914, na fazenda Malhada das Pompas, em Umari, Ceará, divisa com a Paraíba. Era neto do tenente-coronel da Guarda Nacional, Vital de Souza Rolim (1829/1915), primeiro grande chefe político e fundador do Partido Liberal em Cajazeiras, no período da Monarquia .
Ordenou-se em 1937, no Seminário Arquidiocesano da Paraíba, em João Pessoa, retornando a Cajazeiras como padre e diretor do Colégio Diocesano Padre Rolim. Elevado a bispo de Cajazeiras, em 1953, pelo papa Pio XII, foi fiel ao legado de educador deixado pelo fundador da cidade, padre Ignácio de Souza Rolim (1800/1899). Dom Zacarias investiu no ensino, abrindo escolas em cidades da abrangência da Diocese.
Fundou, também, em 1964, um mês após o golpe, a Rádio Alto Piranhas (alusão ao Rio Piranhas, que se une ao Rio Peixe e formam o Rio Açu, no Rio Grande do Norte), e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Cajazeiras, em 1969, incorporada pela UFPB, além dos cines Pax e Apolo 11, homenagem aos astronautas norte-americanos que primeiro chegaram à Lua. Sagrado bispo emérito de Cajazeiras, em 1990, pelo Papa João Paulo II, renunciou aos 76 anos. Morreu na Malhada das Pompas, em 5 de abril de 1992.
Explosão, dois mortos, feridos e… censura
Uma coincidência aconteceu naquela noite de 2 de julho de 1975. O filme em cartaz era Sublime Renúncia, com a atriz Romy Schneider em um dos principais papéis, que não agradou à maioria. Para piorar a insatisfação, o rolo de fita tinha problema e partiu várias vezes. A platéia apupava, assobiava, batia nas carteiras. Paguei pra vê, quero meu dinheiro de volta eram algumas frases jogadas antes dos mais irritados se retirarem. Ironia do destino ou a arte imitando a vida, o filme tem uma cena de assalto a banco, na qual a personagem provoca uma explosão de bomba-relógio ao abrir o caixa forte.
Os irmãos Geraldo e Luiz Conrado eram os responsáveis por operar os projetores do cine Apolo 11, que ficavam no primeiro andar do auditório. Por ainda estar na sala de projetores, Luiz saiu ileso. O caçula Manuel Justino Conrado (Manuelzinho), que tinha servido ao Tiro de Guerra de Cajazeiras, era o porteiro. O soldado Didi fazia a segurança e ajudava às vezes na portaria. O menor Geraldo Galvão, para ganhar uns trocados, corria o auditório depois das sessões para recolher objetos e pertences deixados pelos espectadores. O soldado Altino Soares (Didi) recebia e os guardava para os proprietários.
No final do filme, um ficava para desligar a máquina e o outro as luzes do auditório. Eu desci para apagar as luzes laterais. Foi aí que veio o papuco (pipoco). Fui atingido ainda na escada, narra Geraldo Justino Conrado, aos 66 anos, mostrando as pernas deformadas pela fratura e pelos estilhaços. Hoje, vive tomando remédios para dores e para os nervos”.
As vítimas foram levadas de imediato ao Hospital Regional de Cajazeiras para o socorro de urgência. Dois dias depois, seguiram para João Pessoa, internando-se no Hospital Edson Ramalho. Com o cérebro perfurado por uma lasca de madeira de uma das cadeiras, Manuelzinho permaneceu todo o tempo inconsciente e foi o primeiro a morrer, dois dias depois do atentado. Nove dias após o episódio, morre o soldado Didi. A bomba tinha um alto poder de destruição, a ponto de ter arrancado a grade da entrada do Cine-Teatro.
Quando eu cheguei, Didi ainda estava vivo. Eu disse: ‘Didi, e aí?’ Ele respondeu: ‘Eh, tem jeito, não’. As pernas (os restos) foram amputadas, recorda Geraldo Galvão. A infecção generalizada levou o soldado à morte.
O jornal oficial do governo da Paraíba, A União, revela no dia 4 de julho, que a notícia do atentado só tinha chegado a João Pessoa na noite anterior, quando da passagem pelo Aeroporto Castro Pinto de um avião da Força Aérea Brasileiro que conduzia um coronel, um major e um capitão do Exército, componentes de uma comissão investigadora. No aeroporto, embarca o secretário de Segurança Pública, coronel Audízio Siebra. À tarde, havia seguido para Cajazeiras o superintendente da Polícia Federal na Paraíba, Sadoc Thales Reis.
Na edição de 5 de julho, três dias depois, o jornal O Norte de João Pessoa informa que as autoridades não tinham identificado ainda quem colocou a bomba, porém, acreditavam que se tratava de uma ação terrorista com ramificações no Estado e que a pessoa que levou o petardo para a cidade não agiu isoladamente. Essa interpretação demonstrava, assim, que os órgãos de investigação consideravam que as autorias intelectual e material foram de pessoas de fora da cidade.
O governador Ivan Bichara (Arena) visita a cidade no dia 7 de julho e, segundo A União, impressiona-se com os estragos da explosão. Bichara reúne-se também com Dom Zacarias Rolim de Moura, que havia retornado à cidade. Ao jornal O Norte, edição de 8 de julho, o bispo afirma: Não tenho inimigos, se ideologicamente entre em divergência com outras pessoas, não vejo razão nenhuma para que isso justifique um atentado, pois sou apenas um discípulo de Deus.

O historiador e professor da Universidade Federal de Campina Grande, Francisco Chagas Amaro, 58, natural de Cajazeiras, à época um radialista com 23 anos, revela que a censura do regime militar passou a tomar conta do noticiário. Notícias na imprensa eram só as oficiais. O episódio da bomba ficou sob censura. Tudo corria sob sigilo. Ninguém se aventurou a comentar ou fazer juízo. Estabeleceu-se o silêncio. A imprensa não teve acesso ao inquérito, destaca.
A bomba do Apolo 11, a história não concluída

Ayrton Maciel amaciel@jc.com.br
Jornal do Commercio extraído do site Folha Vip de Cajazeiras.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

REEDIÇÃO: Como anda o processo de canonização do Padre Rolim?


Brasão da família Rolim
BLOG: quais foram as origens do Padre Rolim?
Padre Raymundo Rolim: o padre Inácio de Sousa Rolim era filho do casal Vital de Sousa Rolim e Francisca Ana de Albuquerque, essa era natural do Rio Grande do Norte e o Vital de Sousa Rolim era de Pernambucano, vieram do Ceará para a Paraíba. Chegando a Cajazeiras, o casal foi residir primeiro no sítio Serra Vermelha, depois no sítio Serrote, onde justamente nasceu o terceiro filho, o Inácio de Sousa Rolim. Então observa-se o fundamento da família Rolim na cidade e na região de Cajazeiras.
BLOG: qual era a opinião geral do povo, seus contemporâneos, sobre a vida do Padre Rolim?
Padre Raymundo Rolim: a opinião geral das pessoas, conterrâ-neos e contemporâ-neos de Inácio de Sousa Rolim atesta-vam que desde a menor idade, da infância e da juven-tude, já era um jovem sensato, equi-librado, simples e como diz um termo adequado, morige-rado, quer dizer, de bons costumes, de bom exemplo. Dessa maneira fez os primeiros estudos em Cajazeiras, em seguida foi estudar no Crato, no Estado do Ceará, onde também aparece um testemunho muito bonito do vigário do Crato, o Padre Saldanha, depois também do vigário da cidade de Sousa, o Padre Costa onde o Padre Rolim também estudou durante um ano e em todas essas etapas de seus estudos, de sua educação, está escrito nos livros o testemunho do povo, que se tratava de um jovem de bom comportamento; ótimas informações eram dadas sempre a respeito dele.  No ano de 1822 (ele nasceu em 1800) com 22 anos de idade ele ingressou no seminário de Olinda, no Pernambuco, já para fazer os últimos estudos de Teologia e Filosofia. Apenas estudou três anos e deu conta de todos os tratados de Teologia e Filosofia, sendo ordenado padre em 1925. Depois de ordenado padre, ainda permaneceu lá no seminário de Olinda, onde exerceu alguns cargos de confiança da reitoria e do bispo de Olinda e em seguida ele ficou assumindo, após a sua ordenação, a reitoria do seminário de Olinda.
BLOG: qual e como foi a sua caminhada vo-cacional? E sua ordenação?
Padre Raymundo Rolim: A sua ordenação foi exatamente a sua caminhada vo-cacional como eu já falei, tanto dos seus estudos como de seus testemun-hos de vida cristã, eram admirados por todos os co-legas e por toda a diretoria do semi-nário de Olinda. Existe até uma carta comendatícia, quer dizer de recomendação dos seus comportamentos, do bispo de Olinda, Dom Tomás Noronha, que, lida, todo mundo entende, como se tratava de um jovem cheio de ideais e de virtudes que deram lugar a sua ordenação que foi feita exatamente dentro de seis meses quando recebeu todas as ordens sacras. Desde as ordens menores e as três ordens maiores, subdiaconato, diaconato e o presbiterato, todos foram dados dentro de um mês, pela a sua indiscutível competência. Não houve período de experiência, para que alguém denunciasse qualquer coisa a respeito dele como é a regra, porque todas as informações que vinham por onde ele passou, eram ótimas. Eram de grandes virtudes e por isso mesmo a sua caminhada vocacional foi realmente coroada de boas informações a respeito de um homem de Deus, de muitas virtudes.
BLOG: qual sua missão de padre?
Padre Raymundo Rolim: depois de ordenado ele permaneceu em Olinda como diretor e professor do se-minário, até 1829, quando aceitando, por obediência ecle-siástica, o pedido do bispo de Olinda e o bispo de três Esta-dos: o Rio Grande do Norte, da Paraíba e do Pernambuco. Mas o seu amor pelo sertão, sempre aquela vontade de voltar ao seu rincão natal, aliado à carência de padres dedicados na região, tudo isto o motivou a se  dedicar também a maior parte do seu tempo à educação religiosa dos jovens, mas, sobre tudo a dedicação pastoral. Havia muitos padres naquele tempo envolvidos em política como também envolvidos em várias atividades não sacerdotais, por isso havia muita falta de padres no interior e ele resolveu com a licença do senhor bispo de Olinda, vir para Cajazeiras em 1829, iniciando então a sua caminhada.
BLOG: onde e quando exerceu a missão de educador na fé?
Padre Raymundo Rolim: essa missão de educador na fé e-le exerceu inici-almente, como eu já havia dito, em toda a região do Ceará, onde per-corria grandes dis-tâncias. Vale lem-brar que essas via-gens eram feitas a cavalo, sozinho. De Cajazeiras pra o Inhamuns e até perto de Sobral, ele fazia missão apostólica, quando deixava o seu pequeno educandário, que primeiro foi na escolinha da Serraria (em Cajazeiras, na atual Rua Dr. Coelho), depois o colégio fundado já no povoado de Cajazeiras ele deixava por conta dos professores, que eram as suas irmãs e também alguns parentes que ele tinha e que trouxe do Recife e fazia essas viagens, permanecendo três ou quatro meses em cada fazenda, onde havia uma capela, ou se não havia ele improvisava um local onde celebrava e assim, fazia a sua missão de padre. Nunca foi pároco, nunca foi vigário, mas fez essas missões em toda a sua vida de clérigo (quase setenta e cinco anos de sacerdócio), nos estados da Paraíba, do Rio Grande do Norte, na região do Seridó, todo o Ceará e também em alguma região do Moxotó, no Pernambuco. Há vestígios da estadia do padre Rolim longe, onde ele permanecia a serviço daquelas comunidades abandonadas, num lugar onde um padre nunca pisava, mas sempre com a santa intenção de atender aos pobres. Pobres que não podiam ir às vilas e às cidades para fazerem casamentos, batizados e especialmente o batizado dos escravos, que eram considerados pelos patrões (senhores de escravos), como uma mercadoria e ninguém os batizavam e nem os casavam religiosamente. Eram comprados e vendidos, que não era gente. O padre Rolim se dava ao trabalho de batizar os escravos, tanto as crianças como os adultos e fazer o casamento destes nas diversas fazendas e locais por onde ele passou a vida inteira fazendo essas missões, dedicando especialmente aos mais abandonados.
BLOG: em que de-monstrou seu espí-rito de renúncia?
Padre Raymundo Rolim: o espírito de renúncia do padre Rolim é demonstrado, sobre-tudo na sua capa-cidade de deixar voluntariamente o seu bem estar em prol dos próximos, ele sendo, como é do conhecimento do povo, um homem culto como a história atesta, vale ressaltar que ele conhecia e falava pelo menos dez idiomas diferentes. Inclusive idiomas, não só o Latim e o Grego Antigo, mas o Sânscrito, que era uma língua em que não se sabe se esse povo ainda existe. Pois bem ele foi convidado pelo próprio imperador D. Pedro II para ensinar no Colégio Pedro II no Rio de Janeiro e ele recusou gentilmente, não aceitou. Convidado pelo presidente da Província de Pernambuco para assumir a cadeira de Latim e Grego no Colégio Pernambucano ele chegou a aceitar, mas pouco tempo depois renunciou. Foi também chamado pelo presidente da Província da Paraíba para assumir a secretaria de educação de todo o Estado, todavia enviou uma carta agradecendo o convite do presidente. Quando recebeu do imperador Pedro II duas comendas honoríficas, benefícios outrora concedidos a eclesiásticos pelo imperador em função do desempenho dentro do cenário nacional como educador, diz o meu avô, sobrinho de segundo grau do padre Rolim, que ele nunca usou essas comendas, essas medalhas de ouro, e pouco tempo depois ele as levou e entregou a um amigo, o Desembargador Boto de Menezes, dizendo: “faça disso o que quiser. Eu não uso isso. Isso não serve de nada”. De tal maneira era a simplicidade de que o padre Rolim que o levava a  recusar de tudo que era pompa, tudo que era, vamos dizer riqueza, ou qualquer prestígio, tudo renunciava e preferia ficar na singeleza de educador e como mero professor do seu colégio de Cajazeiras e que se tornou um colégio de grande fama, pois vinha alunos de todo o nordeste à Cajazeiras e além disso mantinha durante toda a sua vida o espírito de desafetação na maneira de trajar, de tratar as pessoas, igualhando-se a todos. Isso demonstrava exatamente o espírito de humildade e renúncia do padre mestre.
BLOG: de que modo viveu e como todos o viram na sua vida de penitência e oração?
Padre Raymundo Rolim: o que contam as pessoas que con-  viveram com ele, não só os alunos e professores, pode-mos também elen-car o notável Iri-neu Jofre, que foi até presidente do Estado da Paraíba, todos reconhe-ceram no padre Inácio de Sousa Rolim o homem penitente e o meu avô também falava deste seu lado asceta, ele tinha uma alimentação praticamente só para sobreviver, pois era pouquíssima e sem temperos. Meu avô também contava que ele plantava algumas carreirinhas de feijão no baixio do açude Grande e dali colhia umas vagens e não comia carne de gado e nem de criação. Muitas vezes quando uma pessoa matava um preá, que é um roedor pequeno, ele ainda dividia esse minúsculo animal em três ou quatro refeições. Este lado penitente ele transmita também para os alunos, ressalvando que tivessem o cuidado de não querer viver pra comer e sim comer só para viver. Ele se dedicava a essa tarefa de prevenir os jovens desses excessos. O padre Rolim nunca dormiu numa cama ou rede. A vida toda a família conheceu e testemunhou, como também os alunos, que ele dormia sobre uma mala grande ou então em cima de uma tábua de madeira, dura e sem forro. Só na cabeça se dava o luxo de colocar um livro, que meu avô dizia ser um livro volumoso com um paninho em cima e em algumas vezes dormia no chão, sempre orando e meditando.
BLOG: como demonstrou a sua caridade de modo heróico?
Padre Raymundo Rolim: todo mundo sabe ou já ouviu falar numa epidemia do cólera morbus, que era uma doen-ça fatal neste tempo. Pra-ticamente não esca-pava ninguém que contraísse essa doen-ça e como não havia recursos na região de Cajazeiras e, fala os livros, que até de Sousa vieram algumas fórmulas para serem manipuladas por algum farmacêutico para pelo menos aliviar o sofrimento do doente. Mas, em Cajazeiras, o padre Rolim fundou ao lado do colégio uma enfermaria, na qual recebia centenas de pessoas e dava ele mesmo assistência, arriscando a própria vida. Esse foi o sentido heróico de suas virtudes de caridade para com aquelas pessoas que estavam ali dependendo dele até o último momento da vida. Mais do que uma missão de religioso, ele fazia o papel de enfermeiro para com todos os pobres de qualquer idade e qualquer situação.
BLOG: onde, quando e como ele faleceu dando provas de sua santidade?
Padre Raymundo Rolim: a santidade do padre Rolim era conhecida em todo o nordeste. Existe uma expressão que era bom verificar até onde isso era realmente verídico, mas, existia na opinião geral de todo o povo que conhecia o padre Rolim na Paraíba de que havia três padres, não eram de boa vida, eram de vida boa no sentido de vida ilibada, vida limpa e que ninguém falava mal desses padres. Eram os padres Frei Martinho, Dom Eurico, que era beneditino e o padre Inácio de Sousa Rolim, em Cajazeiras. Sobre esses três padres ninguém nunca disse qualquer coisa que viesse abater a sua moral e nem muito menos as suas virtudes. Dessa maneira viveu a vida toda, todo mundo tinha esse conceito de que o padre Rolim era santo porque toda a sua vida foi um exemplo de caridade, de amor ao próximo, de renúncia e de penitência. Ele morreu em 16 de setembro de 1899, com quase cem anos e dando um testemunho até o último momento de sua vida de nunca ter se lamentado de todo o sofrimento dos últimos anos de vida e das doenças que o acometeram. Morreu com esse odor de santidade. De tal maneira que o povo do Nordeste quando soube do falecimento, quem pôde viajar à Cajazeiras se deslocou até esta cidade que se encheu de gente de toda a região para ver o último momento, antes do sepultamento do Padre Mestre e finalmente, vou abreviar um pouco, houve o testemunho de um oficial de um cartório de registro civil, que registrou um testemunho interessante e que está também no livro do padre Heliodoro Pires e em outras edições de outros escritores que fizeram biografia do padre Rolim, falaram que ele esteve depois de morto, durante mais de quarenta horas dentro da igreja matriz à exposição de todas as pessoas que queriam vê-lo e não havia sinais de putrefação de maneira alguma, pelo contrário, houve quem dissesse que ele exalava um odor de rosas ou de algum perfume. Isso era um sinal depois de mais de quarenta horas sem ser sepultado, não dava sinais de putrefação ou de destruição do seu organismo.
BLOG: onde e de que modo ele foi sepultado?
Croquis feito pelo próprio Padre Raimundo sobre a antiga
matriz de Cajazeiras
Padre Raymundo Rolim: ele fale-ceu no dia 16 de setembro de 1899 e foi se-pultado no dia 18 de setembro, praticamente três dias depois. E seu jazigo se encontra na igre-ja paroquial de Nossa Senhora da Piedade, que ho-je é a igreja pa-roquial de Nossa Senhora de Fátima e está sepultado até os nossos dias nesse mesmo local. Existiram pessoas, eu até procurei corrigir um livro que foi editado no bicentenário do padre Rolim, falava que os restos mortais do padre Rolim teriam sido exumados em 1937, puro engano. O que foi exumado em 1937 foram os restos mortais da mãe do padre Rolim, a mãe Aninha, que estava sepultada num túmulo na parte de trás, ligado a parede da pequena capela do Coração de Jesus, que é hoje a Praça Coração de Jesus. O prefeito Joaquim Matos mandou destruir a capela e foram encontrados dentro desse túmulo, alguns restos mortais da mãe do padre Rolim e foram levados e colocados na base do monumento do padre Inácio de Sousa Rolim, que está hoje em frente ao Colégio Nossa Senhora de Lourdes, chamada praça mãe Aninha. Mas os restos mortais do padre Rolim continuam lá onde foi sepultado, dentro da matriz Nossa Senhora de Fátima. Só que nesse tempo a igreja era pequena, não era do tamanho que é hoje, ela teria apenas uns vinte metros de comprimento por doze de largura e o local onde está os restos mortais pode serem identificados. Meu avô disse que assistiu ao sepultamento do tio (padre Rolim), e foi exatamente para ele, que era povo, que ele foi sepultado do lado direito do altar. Para os padres que se fizeram presentes no ato do sepultamento, como o padre Joaquim Sirino de Sá e Manoel Costa estiveram celebrando as exéquias e ele foi sepultado do lado esquerdo do altar, dentro exatamente da nave central. Por tanto aí está a história contada e já relatada em livros e que eu procurei resumir para que o povo tomasse conhecimento do que foi, do que é realmente a vida, a história e realmente o testemunho de fé de amor a Deus e ao próximo que deu o padre Rolim em toda a sua vida.
BLOG: quais foram os milagres alcançados por sua intercessão?
Padre Raymundo Rolim: existem várias narrações. Uma delas está no jornal Gazeta do Alto Piranhas e narra um milagre de uma criança, uma jovem, adolescente, na cidade de Pau dos Ferros, no Rio Grande do Norte, veio com a família a Cajazeiras em 1989 e pagou uma promessa no sítio Serrote, onde existe uma capelinha onde padre Rolim residia e viveu seus últimos anos de vida, a família veio com o testemunho de um médico que atestou que a moça tinha um tumor na cabeça, fizeram uma promessa para o padre Rolim de Cajazeiras e com poucos meses depois foram feitos novos exames e o tumor tinha desaparecido. Então era sinal de que havia uma intervenção especial de Deus por intermédio do padre mestre Inácio de Sousa Rolim.



segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

História da CDL de Cajazeiras - PB

A CDL de Cajazeiras foi fundada em 1974, por um grupo de Empresários paraibanos. Eles sentiram a necessidade de fundar um clube de vital importância no âmbito comercial, desenvolvendo assim o sistema de crédito dos seus associados. Assim surgia a CDL, na época chamada de Clube de Diretores Lojistas, A Entidade teve como sócios fundadores os comerciantes, Mozart de Souza Assis, José Cavalcanti da Silva, Geraldo Pinheiro Brandão, Doutor Aldo Matos de Sá, Gonçalo Pinheiro Torres, José Nello Zerinho Rodrigues, José Antonio da Silva, Waldemar Matias Rolim, José Moreira Sobrinho, Francisco de Assis Rolim e Henrique Nogueira Neto. Esses mesmos empresários conseguiram fundar mais duas CDL’S na Paraíba, a CDL de Sousa e a de Catolé do Rocha. Mas após alguns anos de funcionamento ficou inativa e só em 1994 foi reativada novamente.

E em 1994 com a eleição de uma nova diretoria e a frente, o presidente Rubismar Marques Galvão realizou um brilhante trabalho durante todas as gestões que foi presidente, um dos destaques de sua gestão foi a criação da CDL SOCIAL, sendo a única CDL da Paraíba com uma fundação que em parceria com a FUNDAC da assistência a menores carentes de nossa cidade, outro marco na sua gestão foi conseguir uma sede própria para CDL que funcionava em uma sala emprestada na sede da Associação Comercial.

Nas gestões do Presidente Manoel Lins de Oliveira Neto, a nova sede foi ampliada com uma sala de treinamento climatizada com capacidade para 30 pessoas para atender seus associados, instalado um sistema de som e ventiladores no auditório com capacidade para 300 pessoas, e construída uma copa e dois banheiro no auditório.

Hoje, reunindo cerca de 327 Empresas associadas, a CDL consolidou a missão de integrar e desenvolver as atividades comerciais de Cajazeiras, oferecendo uma ampla gama de benefícios e soluções.

Nos últimos anos a CDL de Cajazeiras vem se destacando, inclusive depois do lançamento da cartilha 2005, CDL’S de todas as partes do Brasil enviaram pedidos solicitando exemplares.

Destacamos também nossos parceiros como SEBRAE, ACIC, SINDIBENS e SINTRACS, através de cursos, palestras entre outros.

Com a gestão do Presidente Severino Alves, sendo a primeira de 2008-2010 e a segunda gestão 2010-2013, a CDL de Cajazeiras a cada dia cresce mais, sempre com o objetivo de melhor servir aos seus associados e a toda comunidade.

A CDL de cajazeiras tem tido um grande crescimento sempre com o objetivo de melhorar e servir bem aos seus associados e a comunidade de Cajazeiras, tendo realizado as seguintes melhorias: renovação da estrutura da entidade, novo auditório, sala da diretoria, com o memorial do grêmio artístico, construção do site da entidade (www.cdlcajazeiras.com.br), além de ter renovada toda a estrutura e informatização do escritório da CDL e a criação da galeria de ex-presidentes da entidade formada pelos presidentes.

VEJA A LISTA DE EX-PRESIDENTES da CDL :

Mozart de Souza Assis – Fundador da CDL de Cajazeiras – PB: (1974 a 1976 1976 1978) Empresário Fundador da Difusora Rádio Cajazeiras e Rádio Patamuté FM;




Geraldo Pinheiro Brandão (1978 a 1990 / 1990 a 1992 / 1992 a 1994)- Empresário da Brandão Auto Peças;




Rubismar Marques Galvão (1994 a 1997 / 1999 a 2002 / 2002 a 2004)- Empresário da Leia Livraria Magazine



Eliomar Figueiredo de Sousa Júnior (1997 a 1999) -Empresário do Armazém Tropical e Tropical Home Center



Manoel  Lins de Oliveira Neto 2004  a 2006 / 2006 a 2008) Empresário da Bomboniere Metal Balas




Severino Alves de Araujo (2008 a 2010 – 2010-2013) Empresário da Nova Rádio Centro e Lins Exatas Informática e Atual Presidente da Entidade


     Atual presidente: Irlânio Cavalcanti, empresário Ivone Boutique



quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Memórias de Cajazeiras: Cônego Luiz Gualberto

     
O saudoso cônego Luiz Gualberto 
observando o desfile de alunas 

Açude Senador Epitácio Pessoa, 100 anos de Glória e decadência

José Antonio Albuquerque 

  No próximo ano, 2015, em 16 de abril, uma quinta-feira, o Açude Sena- dor Epitácio Pessoa, conhecido popu -larmente como Açude Grande, inicialmente denominado de Açude Cajazeiras, completará 100 anos de existência. 
Casa da fazenda dos pais do Padre Rolim
   No local onde foi construído já existia um velho açude em terras pertencentes à família Rolim, formado por duas barragens, nos braços do Riacho Caieira, pouco abaixo da junção dos Riachos Boi-Morto e Casemiro, que completam a bacia hidrográfica do açude. Quase no centro destas duas barragens estava a casa da fazenda dos pais do Padre Rolim, fundadores da cidade, Vital de Sousa Rolim e Ana de Albuquerque, que foi destruída para dar lugar ao que é hoje o Cajazeiras Tênis Clube. 
A seca de 1915 obrigou autoridades locais a se mobilizarem no sentido de dar serviço a cerca de mil flagelados. E foi diante do quadro triste e desolador da seca, que arrastava consigo um inseparável quadro de miséria, uma multidão de famintos, maltrapilhos, seminus, magros, anêmicos e caquéticos formavam um quadro dantesco e cruel, que no dia 27 de dezembro de 1915 foram iniciadas as obras do Açude Grande. 
 Dom Moisés Coelho, que nascera no dia 8 de abril de 1877, ano de outra grande seca, acabava de tomar posse na recém criada Diocese de Cajazeiras, como seu primeiro bispo, em 29 de junho de 1915. Defrontou-se com esta grande seca e começou a tomar as providências no sentido de minorar a situação aflitiva dos flagelados da seca. Dirigiu-se a diversas autoridades, dentre elas o Presidente da República e aos bispos e padres amigos de diversas regiões do País. 
O clamor do Bispo foi ouvido pelo Vigário Geral da Diocese de Fortaleza, Monsenhor Melo, que enviou ao Bispo de Cajazeiras para socorro aos famintos cinco contos seiscentos e um mil reis (5.601$000); a Associação Comercial da Paraíba enviou trezentos mil reis (300$000) e o Bispo do Ceará mandou quatro contos, quinhentos e sessenta e cinco mil duzentos e noventa reis (4.565$290). Estes donativos foram distribuídos pelas paróquias e o restante foi reservado para melhoria no Açude de Cajazeiras. 
 Cajazeiras, em 1915 era considerada uma das mais importantes cidades do interior, não só pelo comércio, mas principalmente pela sua população que já atingia cerca de 4.000 habitantes e já possuía 458 casas. O governo não podia fechar os olhos para uma cidade onde se aglomeravam muitos flagelados. Muito embora não existissem estudos e projetos mais profundos na “Inspetoria de Obras Contra as Secas” para construção de um açude em Cajazeiras a única maneira que encontraram para solucionar o problema foi aproveitar o velho açude cujas paredes uma era de terra, mal construída e já em péssimas condições, com um comprimento de 150 metros com 5 metros de altura e outra construída de alvenaria de pedra e cal, que servia de sangradouro, que fechava o braço direito do riacho. 
A Câmara Municipal, na Sexta legislatura, (1913-1917) composta dos vereadores Joaquim Gonçalves de Matos Rolim, Juvêncio Vieira Carneiro, Emídio Assis, Joaquim de Sousa Rolim Peba, Henrique Gomes Leitão, Emídio Tomaz de Aquino, Martinho José Barbosa, Emiliano de Oliveira e Sousa e Joaquim Lima de Sousa Madeira também se engajou na luta pela construção do açude para dar amparo aos flagelados da seca. Depois de muitos estudos, no dia 18 de novembro de 1915 foi formada uma comissão construtora, tendo como chefe o engenheiro José Francisco Coelho Sobrinho, que hoje é nome de uma das mais antigas ruas da cidade, conhecida como Rua Dr. Coelho. 

A comissão só conseguiu chegar a Cajazeiras no dia 25 de dezembro, para no dia 27 serem iniciados os trabalhos. Dos mil flagelados foram alistados apenas 300. O projeto inicial foi substituído e trouxe uma vantagem, pois aumentou consideravelmente a sua capacidade para 2.599.600 metros cúbicos d’água. As duas barragens ficaram com 453,5 metros de comprimento e seu sangradouro ficou com 36 metros de comprimento, cuja fundação é assentada em rocha firme. 
A famosa escadaria da Avenida Presidente João Pessoa, foi construída como “gigante”, na administração de Antonio José de Sousa, nomeado interinamente prefeito de Cajazeiras, em março de 1947, e reformado na administração de Otacílio Jurema, no seu primeiro mandato (1951-1955), para dar sustentação a muralha. Conclusão: a parte mais funda do açude se encontra logo após a Praça Presidente João Pessoa. 
O custo do açude Um fato incrível, se fosse nos dias de hoje. O orçamento para a construção foi de 76:244$096, só que foi gasto 73:201$425, quase 3 contos a menos do que foi programado. As despesas foram efetuadas nos seguintes itens: pessoal técnico administrativo, operários, desapropriações, ferramentas, utensílios, objetos de escritórios e materiais de construção. Hoje em dia os aditivos são tantos que geralmente todas as obras têm seus orçamentos dobrados. Todos os recursos foram originados do Tesouro Nacional. 
  As desapropriações no açude Cajazeiras, umas das mais intrincadas questões se deu com relação as desapropriações. Muitos se apresentaram como proprietários das terras. Mesmo depois da conclusão do açude ficaram as terras pertencentes aos Padres Nonato Pita e Fructuoso Rolim e a de Antonio de Sousa, que se recusara a qualquer acordo amigável. O custo das desapropriações foi considerado elevado, embora se considerasse que as terras ficavam encravadas na própria cidade e num excelente local para crescimento da mesma. 
Existe um fato curioso com relação ao processo de crescimento urbano de Cajazeiras: a cidade tem como o centro a Avenida Presidente João Pessoa. Como considerar esta avenida como centro se ela é a última rua que fica ao Oeste da cidade. E é exatamente da escadaria, que tem no final dela, que se contempla “o mais belo por do sol do mundo”. 
Proprietários expropriados e quantias recebidas 
Raiymundo Sezinando Coelho..........................6:000$000 
Chrispim Sezinando Coelho..............................1:377$000 
Olidon Pereira Campos......................................1:000$000 
Dom Moysés Coelho.......................................... 600$000 
Sabino Gonçalves Rolim e outros...................... 418$000 
Cezário Duarte Rolim........................................ 504$000 
João de Souza Rolim e outros...........................5:000$000
Epiphanio Gonçalves Sobreira Rolim.............. 415$000 
Chrispim Sezinando Coelho (benfeitorias)....... 
533$000 Total....................................... 15:847$000 
    Um fato que merece destaque é que estas desapropriações foram feitas até a cota 95 do projeto como consta das escrituras públicas, aos quarenta proprietários de terra. As informações que se tem é que esta cota vai mais 30 metros além do nível d’água de sua sangria, formando a sua bacia. A realidade é que a Lei nº 3, de 12 de dezembro de 1947, autorizou o prefeito do município a regularizar o arrendamento anual da bacia hidráulica do Açude Grande, em lotes de 30 metros, com “metragem a findar no leito do riacho”. E a Câmara Municipal, em sessão do dia 13 de dezembro de 1948, discutiu e aprovou projeto de lei de autoria do vereador Romualdo Rolim, autorizando o prefeito a constituir um advogado “para defender os direitos de arrendamento das terras ocupadas pelas águas da bacia hidráulica do Açude Cajazeiras, desapropriadas pela Inspetoria de Secas e doadas ao Estado e por procuração do Governador ao prefeito, contra o professor Crispim Coelho”. Não temos conhecimento do desfecho desta questão. 
  A realidade é que nos dias atuais parte da bacia do açude está ocupada com edificações as mais diversas, inclusive com um prédio público municipal, o CAIC, cujas terras foram desapropriadas (novamente?) pelo poder público. A quem pertence o Açude No dia 06 de novembro de 1916, o tabelião Serafhim Waldemiro de Albuquerque, fez no seu cartório a lavratura do termo de entrega do Açude Público de Cajazeiras, comparecendo a este ato: o engenheiro José Francisco Coelho Sobrinho, representando a União e o Coronel Juvêncio Carneiro, prefeito em exercício, pelo governo do Estado, para que o mantenha em boas condições bem como das terras indenizadas até a cota 95, que foram desapropriadas, como consta da escrituras públicas. Assinou ainda o termo o Dr. Joaquim Victor Jurema, juiz de direito da comarca e Aprígio Bezerra de Mello, coletor federal. Era governador do Estado Camilo de Hollanda. Até os dias atuais o Açude Senador Epitácio Pessoa, cabe a Prefeitura Municipal de Cajazeiras cuidar e zelar por ele. Mais de 2 milhões de metros cúbicos d’água sem utilidade 


    Para que está servindo os dois milhões, quinhentos e noventa mil e seiscentos metros cúbicos d’água armazenados no Açude Grande de Cajazeiras, tão decantado em poesias e versos e que se costuma dizer, que do alto de sua parede se vislumbra um belíssimo por sol? Até o ano de 1964, quando foi inaugurado o sistema de abastecimento d’água, todos os habitantes se serviam das águas deste açude, desde os idos de 1820, quando os riachos foram barrados de levar as suas águas para o Rio do Peixe e daí desembocarem no mar. Muitos já prometeram despoluir suas águas, outros tantos embelezarem a sua orla, outros ainda fazerem em seu torno um anel rodoviário, sem esquecermos as várias promessas de prolongamento da Rua Cel. Guimarães, construindo um aterro e em seu curso uma belíssima avenida, bem na sua margem esquerda. E a fonte luminosa que foi iniciada e não concluída será que não poderia ser alistada entre as obras inacabadas de Cajazeiras que a CPI da Câmara Municipal está investigando? A última análise feita de suas águas pela vigilância sanitária de Cajazeiras, constatou a existência de uma quantidade de coliformes fecais acima do permitido. O Açude Grande é uma grande fossa?. Esta é uma triste realidade. Num Estado pobre como nosso e num município mais pobre ainda nos damos ao luxo de jogarmos mais de 2 milhões de metros cúbicos de água no lixo. É uma tremenda burrice, um crime sem precedente na história da cidade. De que valeram os esforços e o suor de centenas de flagelados da seca de 1917? E a ponte do sangradouro? Aí é outro capítulo triste da história deste açude e da cidade. Salvemos o nosso açude. Vamos acordar senhoras autoridades, não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar quase três milhões de metros cúbicos de água.